O campus de Salvador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) tornou-se um palco para importantes discussões sociais ao sediar dois eventos em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. As iniciativas destacam o papel da instituição na promoção de debates sobre raça, gênero e formas de expressão cultural como ferramentas de empoderamento.
O primeiro evento foi a palestra “O Slam e o empoderamento das mulheres pretas pela literatura”, que contou com a participação da pesquisadora e doutora em literatura e cultura pela UFBA, Aline Nery. Sua tese, defendida em 2023, analisou as poesias e performances de mulheres negras no “Slam das Minas da Bahia”, um coletivo local de poetry slam, batalhas de poesia que nasceram nas periferias dos Estados Unidos e ganharam o mundo. A realização de um debate sobre o slam dentro de uma instituição federal de ensino é significativa. Ela demonstra a formalização e a legitimação de um movimento que nasceu como uma expressão contracultural e de resistência. Ao ser trazido para o ambiente acadêmico, o slam transcende seu status de arte de protesto para se tornar um objeto de estudo reconhecido e uma ferramenta validada de discurso político e empoderamento social.
Complementando a programação, o evento noturno “Julho das Pretas” abordou o tema “A ancestralidade e a força das mulheres negras na história: vozes, corpos e territórios de luta”. Organizado por estudantes do curso de tecnologia em eventos, o debate visou discutir a superação das desigualdades e dar visibilidade à agenda política das mulheres negras. A iniciativa do IFBA, portanto, vai além da celebração de uma data; ela representa a institucionalização de diálogos e formas de expressão cultural que emergiram de movimentos sociais, validando-os como parte legítima da esfera política e acadêmica do país.