Três semanas após a implementação da alíquota de 50% pelos Estados Unidos, o governo avalia que os setores industriais serão os mais impactados, enquanto o agronegócio consegue se reorganizar. Boa parte dos exportadores de alimentos redirecionou a produção para outros países ou manteve contratos, como no caso da venda de mangas.
Produtos como carnes, café e açúcar, que têm grande peso no comércio com os EUA, também encontram espaço em outros mercados. Por isso, não devem entrar no programa de compras públicas para absorver a produção não exportada, enquanto a indústria enfrenta maior dificuldade de adaptação por exigências técnicas específicas.
Secretários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e da Agricultura destacam que a readaptação industrial demanda mais tempo. A Confederação Nacional da Indústria alerta que a sobrecarga da indústria nacional será mais intensa, considerando os efeitos da alta de juros e a competição com importados.
O governo deve destravar medidas ainda nesta semana, com linha de crédito de R$30 bilhões e compras públicas de produtos perecíveis como mel, castanha, uva, manga, açaí e pescado. A intenção é absorver parte da produção redirecionada, garantindo escoamento e estabilidade no mercado interno.