O trabalho infantil voltou a subir em 2024, após uma retração histórica no ano anterior. Segundo dados do IBGE, cerca de 1,65 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam nessa situação, o que representa 4,3% da população nessa faixa etária. O aumento foi de 2,1% em relação a 2023, quando o índice havia atingido o menor patamar da série histórica.
Apesar da alta, os dados mostram que o número de jovens em atividades de maior risco continua em queda. Em 2024, 560 mil crianças e adolescentes estavam nas chamadas piores formas de trabalho infantil, o menor contingente já registrado. A redução foi de 5,1% em relação a 2023 e de 39,1% no acumulado desde 2016, segundo o IBGE.
A pesquisa ainda revela desigualdades raciais e sociais. Meninos representam 66% dos trabalhadores infantis e a maioria é preta ou parda, com rendimento médio inferior ao de crianças brancas. O Nordeste concentra o maior número de casos, seguido por Sudeste e Norte. O Bolsa Família aparece como fator importante para reduzir a diferença histórica nesses índices.
Outro dado relevante é a sobrecarga de afazeres domésticos. Mais da metade das crianças e adolescentes ajuda em tarefas de casa ou no cuidado de pessoas, prática mais comum entre meninas. Entre aqueles que já estão em atividades econômicas, a proporção é ainda maior, chegando a 74%. O acúmulo de responsabilidades impacta diretamente a educação e o desenvolvimento desses jovens.