Mesmo após duas decisões recentes do governo americano que aliviaram parte do tarifaço, produtos importantes do agro brasileiro seguem penalizados. Café solúvel, uva, mel e pescados continuam enfrentando taxa de 50% para entrar nos Estados Unidos, o que tem gerado queda nas vendas e risco real de perda de mercado.
No café solúvel, a exportação para os EUA despencou cerca de 50% entre agosto e outubro, e o setor teme perder espaço nas gôndolas para concorrentes como México, Colômbia e Vietnã. No caso da uva, a queda foi ainda mais brusca: 73% em outubro e novembro. Com os americanos prevendo supersafra e comprando mais de Chile e Peru, a fruta brasileira ficou de fora da lista de exceções.
O setor do mel também sente o impacto: além do tarifaço, já havia uma taxa de importação de 8,04%. Os contratos estão garantidos até 2025, mas não há garantia de renovação. Já os pescados, que movimentam cerca de US$300 milhões por ano, reclamam por prioridade nas negociações, o mercado americano representa quase metade das exportações brasileiras do setor.
As entidades seguem pressionando o governo brasileiro e os EUA para reverter as tarifas. Até lá, o risco é claro: perda de competitividade e de espaço comercial em um dos mercados mais estratégicos do planeta.