Entrou em vigor, à 1h01 desta quarta-feira (6), a sobretaxa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a 36% das exportações brasileiras. A medida atinge itens estratégicos como máquinas agrícolas, carnes e café, enquanto derivados de petróleo, ferro-gusa, produtos de aviação civil e suco de laranja ficaram isentos graças a cerca de 700 exceções previstas no decreto.
O impacto é significativo: setores como aço, alumínio e autopeças também pagam tarifas setoriais específicas. No caso do etanol, a alíquota saltou de 2,5% para 52,5%. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê queda de até 47% nas exportações de carne bovina e de 25% no café. Segundo a Amcham, a medida compromete a competitividade de empresas brasileiras e cadeias globais de valor.
O decreto assinado por Trump traz críticas diretas ao governo brasileiro, ao STF e a figuras políticas como Alexandre de Moraes e Jair Bolsonaro. A decisão é vista como movimento político de forte apelo eleitoral, em meio à corrida presidencial nos EUA. Apesar de 43% das exportações brasileiras estarem livres da nova alíquota, especialistas alertam para prejuízos relevantes a setores estratégicos.
Trump também ameaça aplicar sanções a países que compram petróleo russo, o que pode afetar diretamente o Brasil, que importa 60% do diesel da Rússia. Em junho, o país comprou R$2,8 bilhões do combustível russo. Se a medida for adotada, o impacto no mercado brasileiro de combustíveis pode ser imediato e expressivo.