O risco de morrer por câncer de pulmão pode ser até 30 vezes maior entre fumantes do que entre pessoas que nunca fumaram, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença é a que mais mata por câncer no Brasil, com cerca de 31 mil mortes por ano. O cenário preocupa ainda mais porque aproximadamente oito em cada dez casos são descobertos já em estágio avançado, quando as chances de tratamento são menores.
O levantamento do Inca mostra que o risco varia conforme a idade e o sexo e aumenta de forma significativa a partir dos 45 anos. Entre fumantes de 65 a 74 anos, a probabilidade de morrer pela doença chega a ser mais de 30 vezes superior à de quem nunca fumou. Especialistas apontam o tabagismo como o principal fator de risco e alertam que mesmo o chamado “cigarro social” pode evoluir para dependência.
A história de Bryan Dutra, de 32 anos, mostra como o hábito pode começar de forma aparentemente inofensiva. Ele começou a fumar em festas, no início da faculdade, mas o cigarro social se transformou em um vício diário que durou 12 anos. Hoje, está há quase dez meses sem fumar e relata que parar foi uma luta diária, marcada por sintomas de abstinência e pela necessidade de mudar hábitos e buscar apoio.
Ao mesmo tempo, cresce a procura por ajuda para abandonar o cigarro. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 2,5 milhões de pessoas buscaram atendimento no SUS para parar de fumar em 2025, contra cerca de 351 mil em 2015. O tratamento é oferecido gratuitamente nas unidades de saúde e pode incluir acompanhamento profissional e medicamentos. Para especialistas, abandonar o tabagismo continua sendo a principal estratégia para reduzir o risco de câncer de pulmão e outras doenças relacionadas ao cigarro.