Menu

Retrato da Violência no Brasil: Anuário 2025 Revela Queda de Homicídios, mas Agravamento em Crimes de Gênero e Digitais

TalkBahia

- 28/07/25

A 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apresenta um retrato paradoxal da criminalidade no país. O principal indicador, o de Mortes Violentas Intencionais (MVI), que inclui homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, registrou uma queda de 5,4% em 2024, totalizando 44.127 vítimas. Esta redução dá continuidade a uma tendência de queda observada nos últimos anos.

No entanto, por trás dessa estatística positiva, o relatório revela um agravamento alarmante em outras categorias de crime. O Brasil atingiu recordes históricos em violência contra a mulher, com 1.492 casos de feminicídio, o maior número desde o início da série histórica em 2015. Os registros de estupro também alcançaram um novo pico, com 87.545 casos, o que equivale a uma vítima a cada 6 minutos.

Outra tendência proeminente é a explosão dos crimes digitais e de estelionato. Em 2024, foram registrados 2,2 milhões de golpes, um aumento de 408% desde 2018. Isso significa que, em média, quatro brasileiros foram vítimas de fraude a cada minuto.

IndicadorTotal em 2024Variação (vs. 2023)Observação
Mortes Violentas Intencionais44.127-5,4%Menor número da série recente
Feminicídios1.492+2,1%Maior número da série histórica
Estupros e Estupros de Vulnerável87.545+1,8%Maior número da série histórica
Estelionatos2.200.000+7,8%Aumento de 408% desde 2018
Fonte: 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, FBSP 19

Esses dados sugerem uma mudança estrutural na natureza do crime no Brasil, um fenômeno que pode ser descrito como a “atomização da violência”. Há uma aparente diminuição da criminalidade mais visível e coletiva, como os homicídios ligados a disputas territoriais entre facções, e um crescimento da violência individualizada, que ocorre em espaços privados (violência doméstica e sexual) ou no ambiente digital (fraudes).

Este novo paradigma torna as métricas tradicionais de segurança, como a taxa de homicídios, cada vez mais insuficientes para medir a sensação de segurança da população. O modelo de policiamento do século XX, focado em patrulhamento ostensivo para combater crimes de rua, mostra-se inadequado para lidar com crimes que ocorrem atrás de portas fechadas ou através de telas de computador. O Anuário de 2025 não apenas apresenta dados, mas sinaliza a necessidade urgente de uma reformulação radical das políticas de segurança pública, com foco em inteligência, investigação digital, proteção à vítima e estratégias de prevenção à violência doméstica.

Últimas notícias

API key not valid, or not yet activated. If you recently signed up for an account or created this key, please allow up to 30 minutes for key to activate.

novidades do agro