Um estudo brasileiro com 1.158 adultos que buscavam tratamento psicológico para insônia mostrou que 60% relataram usar medicamentos para dormir. Entre eles, 442 pessoas — cerca de 38% de toda a amostra — disseram tomar os remédios de cinco a sete noites por semana. O zolpidem foi o medicamento individual mais citado.
Outro dado chamou a atenção: 40% dos participantes que usavam medicamentos disseram fazê-lo sem prescrição médica. Os pesquisadores destacam que a gravidade da insônia foi o principal fator associado ao uso dos remédios, com aumento de 14% nas chances de utilização a cada ponto adicional no índice de gravidade da insônia.
A pesquisa, publicada na revista Sleep Science por pesquisadores ligados à USP e ao Hospital das Clínicas, reforça a importância de uma avaliação profissional individualizada. Segundo os especialistas, a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é considerada tratamento de primeira linha, embora medicamentos também possam ter papel no cuidado de alguns pacientes.
Os pesquisadores alertam ainda que quem já utiliza medicamentos regularmente não deve interromper o tratamento por conta própria, especialmente porque o uso prolongado de algumas dessas substâncias pode estar associado a tolerância e dependência. O estudo, porém, não representa todos os brasileiros, já que a amostra foi formada por pessoas que procuravam tratamento psicológico especializado para insônia.