Um estudo do Grupo Interdisciplinar de Estudos em Segurança Alimentar e Nutricional (GISAN), da UFRJ, identificou uma associação entre insegurança alimentar e maior prevalência de obesidade entre as mulheres. A pesquisa analisou dados de 1.026 adultos, de 20 a 59 anos, responsáveis pela compra e preparação das refeições em seus domicílios, no município do Rio de Janeiro.
Os resultados apontaram que 32,3% das mulheres de famílias em situação mais grave de insegurança alimentar apresentavam obesidade, enquanto o sobrepeso atingiu 38,7% desse grupo. Após ajustes estatísticos, a prevalência de obesidade entre mulheres que viviam com algum nível de insegurança alimentar foi quase três vezes maior do que entre aquelas em situação de segurança alimentar.
Entre os homens analisados, a associação entre insegurança alimentar e obesidade não apresentou significância estatística. Segundo os pesquisadores, o resultado evidencia uma maior vulnerabilidade das mulheres, relacionada a fatores como desigualdade de renda, acesso a recursos e sobrecarga das responsabilidades domésticas e de cuidado com a família.
A pesquisa também destaca que a insegurança alimentar continua sendo um problema de saúde pública no Brasil e pode assumir características diferentes de acordo com o território e as condições sociais. Os pesquisadores defendem que políticas públicas de combate à fome e à obesidade considerem as desigualdades de gênero e as particularidades de cada região.