Sete mulheres integram as 13 chapas presidenciais deste ano, mas apenas duas disputam o cargo de presidente, metade do registrado em 2022. As outras cinco concorrem como vice-presidente. Com isso, a participação feminina nas chapas caiu de 36% para 27% em relação à última eleição.
Apesar da redução no número de presidenciáveis, 2026 iguala o recorde de duas chapas formadas exclusivamente por mulheres, com Samara Martins e Raquel Brício, da UP, e Clariana Barão e Fabiana Torquato, do DC. Desde 1989, apenas cinco chapas presidenciais tiveram mulheres nas duas posições.
Especialistas apontam que a menor presença feminina está relacionada a barreiras históricas dentro dos próprios partidos, como acesso a recursos, redes de influência, experiência política e espaço nas decisões internas. A legislação que estabelece percentual mínimo de candidaturas por gênero para eleições proporcionais não se aplica às disputas majoritárias, como Presidência, governos estaduais e prefeituras.
Mesmo com avanços ao longo das últimas décadas, mulheres ainda ocupam uma parcela menor dos espaços de poder político. Para especialistas ouvidas no levantamento, a discussão precisa ir além da quantidade de candidaturas e considerar também estrutura de campanha, financiamento, exposição pública e poder de decisão oferecidos às mulheres que entram na disputa.