Enquanto consultorias projetam uma safra histórica de mais de 70 milhões de sacas de café em 2026, produtores de Minas Gerais ainda demonstram desconfiança sobre os números e seguram as vendas. Cooperativas afirmam que a colheita começou bem, mas não acreditam que o volume vá superar o recorde registrado em 2020.
Segundo representantes das principais cooperativas do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro, o grande impasse está no preço. Os produtores consideram baixos os valores oferecidos pelos compradores internacionais, o que tem travado os negócios e reduzido o ritmo das exportações neste início de safra.
A Cooxupé, maior cooperativa exportadora de café do Brasil, prevê aumento no recebimento de sacas em 2026, mas ainda vê dificuldades no mercado internacional. Já a Cocatrel afirma que atualmente faz mais negócios no mercado interno, já que exportar “não está fazendo sentido” diante da diferença entre o preço pedido pelos cafeicultores e o valor pago pelos compradores.
Mesmo com a expectativa de uma grande colheita, produtores seguem cautelosos e preferem esperar melhores oportunidades de venda. Segundo especialistas do setor, muitos agricultores estão capitalizados após anos de preços elevados e, por isso, conseguem segurar o café nos armazéns enquanto aguardam uma valorização maior no mercado.