A alta da inflação e a perda do poder de compra fizeram os brasileiros reduzirem a compra de vinhos importados mais baratos. Segundo levantamento da consultoria Ideal.BI, o volume de rótulos de entrada caiu 9%, enquanto os vinhos premium ganharam espaço e passaram a representar um terço da receita das importações no primeiro trimestre de 2026.
Mesmo com essa mudança no perfil de consumo, o mercado brasileiro bateu recorde de abastecimento, movimentando R$4,18 bilhões e alcançando 10,22 milhões de caixas, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento foi impulsionado pela expectativa da entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
A América do Sul responde por 65% dos vinhos importados pelo Brasil. O Uruguai foi o país que mais ampliou suas vendas ao mercado brasileiro, com crescimento de 44%, seguido pela Argentina, com alta de 16%. Os vinhos tintos também voltaram a ganhar participação, representando 70% do faturamento do setor.
Apesar do recorde nas importações, o consumo permaneceu praticamente estável no início de 2026, com alta de apenas 1,2%. A expectativa é que a produção nacional continue crescendo e encerre o ano com 56,8 milhões de caixas de vinho e mais de 4 milhões de caixas de espumantes.