No front doméstico, o Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central com as expectativas de instituições financeiras, trouxe notícias mistas. A previsão do mercado para a inflação oficial (IPCA) de 2025 caiu pela nona semana consecutiva, passando de 5,1% para 5,09%. Contudo, apesar da trajetória de melhora, o valor projetado permanece significativamente acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.10 A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) manteve-se estável em 2,23%.10
| Indicador | Previsão Atual (28/07) | Previsão (4 semanas atrás) | Meta 2025 | |
| IPCA (Inflação) | 5,09% | 5,25% | 3,00% (Teto: 4,50%) | |
| PIB (Crescimento) | 2,23% | 2,20% | N/A | |
| Taxa Selic (Final do ano) | 10,25% | 10,50% | N/A | |
| Câmbio (Final do ano) | R$ 5,20 | R$ 5,15 | N/A | |
| Fonte: Banco Central do Brasil, Boletim Focus 10 |
Os dados revelam um fenômeno conhecido como “inflação pegajosa” (sticky inflation). Isso significa que, embora o ritmo de aumento dos preços esteja desacelerando, há uma grande dificuldade em trazer o índice de volta para o centro da meta. Essa persistência inflacionária cria um dilema para a política monetária. Enquanto a inflação se mantiver resiliente e acima do alvo, o Banco Central terá pouca margem para promover cortes mais agressivos na taxa básica de juros, a Selic.
Atualmente, a taxa de juros elevada é o principal instrumento para conter a inflação, mas ela também encarece o crédito, desestimula o investimento e o consumo, e, por consequência, atua como um freio para o crescimento econômico, que permanece estagnado em uma projeção modesta de 2,23%. O país está, portanto, em uma encruzilhada política: as medidas necessárias para resolver o problema da inflação estão, simultaneamente, limitando a solução para o problema do baixo crescimento. A nona queda consecutiva na projeção do IPCA não é um sinal de vitória iminente, mas sim um indicativo de que a luta pela estabilização dos preços será longa, gradual e economicamente custosa.