Após 85 dias da tarifa de 50% sobre o café brasileiro, importadores dos Estados Unidos enfrentam altos custos, contratos cancelados e estoques em queda. O grão do Brasil, que representa cerca de um terço do mercado norte-americano, ficou até 40% mais caro para o consumidor. Empresários do setor dizem que a medida, imposta por Donald Trump, tem caráter político e não comercial.
Steven Walter Thomas, dono da Lucatelli Coffee, afirmou que a taxa afeta diretamente os importadores e não o Brasil. “O Brasil não está pagando, eu estou. Eu e meus clientes”, declarou à Reuters. Para contornar o prejuízo, Thomas tem redirecionado o café brasileiro para o Canadá, evitando a tarifa, mas arcando com o aumento nos custos logísticos.
Enquanto Lula e Trump discutem um possível acordo, os estoques de café nos EUA podem se esgotar até dezembro, pressionando torrefadoras e redes de cafeterias. Algumas empresas, como a Downeast Coffee Roasters, cancelaram pedidos do Brasil, mas agora enfrentam dificuldade para substituir os grãos, já que cafés da Colômbia e América Central subiram até 10% desde o início da crise.
Analistas apontam que o impasse já provoca desequilíbrio global no comércio do café. Apesar da queda de 5% no preço do grão brasileiro, as tarifas mantêm o produto fora do alcance de muitos importadores. Enquanto isso, empresas e consumidores seguem pagando a conta de uma disputa política que ameaça o abastecimento da bebida mais consumida do mundo.