A indústria de fertilizantes do Brasil negocia com o governo federal uma subvenção de R$2 bilhões para tentar conter os impactos da guerra no Irã sobre os preços dos insumos agrícolas. A proposta prevê auxílio durante três meses, com foco principalmente no enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes. Cerca de 60% do enxofre comercializado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz.
O Brasil depende fortemente do mercado externo e importa cerca de 90% dos fertilizantes utilizados no campo. Com os custos mais altos, o setor estima que o consumo nacional pode cair de aproximadamente 49 milhões de toneladas em 2025 para entre 42 milhões e 45 milhões neste ano. A preocupação aumenta com o início do plantio da safra 2026/27 de soja e milho, previsto para setembro.
Segundo a indústria, agricultores já enfrentam margens menores, crédito mais restrito e juros elevados. Com o fertilizante mais caro, produtores podem reduzir a aplicação dos produtos, comprometendo a produtividade das lavouras. As importações brasileiras de fertilizantes já caíram cerca de 10% até julho e registram retração de aproximadamente 50% em agosto.
O setor alerta ainda para um possível efeito em cadeia na economia brasileira. A redução da produção agrícola poderia afetar exportações, atividade econômica e arrecadação, com potencial impacto de R$20 bilhões a R$30 bilhões nas contas públicas. O governo avalia a proposta em uma “sala de situação” com diferentes ministérios, mas ainda não há decisão sobre a subvenção.