Um estudo inédito acendeu o alerta sobre o impacto das apostas online no país: as bets geram perdas econômicas e sociais estimadas em R$38,8 bilhões por ano. O levantamento, produzido por entidades da saúde e pela Frente Parlamentar de Promoção da Saúde Mental, mostra que o problema vai muito além do vício em jogos — ele afeta diretamente políticas públicas e o orçamento nacional.
Segundo o estudo, cerca de R$8 bilhões correspondem a efeitos como seguro-desemprego, perda de moradia e prisões. A maior fatia, mais de R$ 30 bilhões, está ligada à saúde: depressão, tentativas de suicídio e tratamentos decorrentes da compulsão por apostas. O setor, porém, paga apenas 12% de taxação sobre a receita bruta, e só 1% desse total vai para o Ministério da Saúde.
A diretora do Ieps, Rebeca Freitas, destacou que, se o Estado considera irreversível a legalização das apostas, precisa adotar um modelo de regulação focado na redução de danos. A proposta inclui treinamento de profissionais do SUS e ampliação da parcela de impostos destinada ao atendimento de jogadores com problemas de saúde mental.
No Senado, um projeto quer dobrar a alíquota tributária cobrada das bets. Mas o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que representa 75% do mercado, é contra a mudança e afirma que o aumento pode fortalecer o mercado clandestino e diminuir a arrecadação. O debate segue acalorado no Congresso.