O Brasil já possui sistemas avançados para monitorar as cadeias produtivas da soja e da carne bovina, mas ainda precisa integrar melhor as ferramentas existentes para ampliar a rastreabilidade ambiental. A conclusão faz parte do estudo “Rastreando a Responsabilidade”, lançado pelo WRI Brasil, que analisou 21 iniciativas voltadas ao acompanhamento da produção nos biomas Amazônia e Cerrado.
O levantamento avaliou dez iniciativas da cadeia da soja e 11 da carne bovina, identificando oportunidades para aprimorar o controle sobre desmatamento, conformidade ambiental e responsabilidade socioambiental. Entre as principais recomendações estão a adoção da propriedade rural como unidade de monitoramento, o uso de bases de dados oficiais, auditorias independentes, expansão do acompanhamento para todos os biomas e mecanismos para monitorar fornecedores diretos e indiretos.
Segundo os pesquisadores, a integração desses sistemas pode fortalecer as políticas públicas, aumentar a transparência e atender às exigências cada vez maiores dos mercados internacionais. A China, principal compradora de soja e carne bovina brasileiras, é apontada como um dos países que poderiam se beneficiar de um protocolo unificado de rastreabilidade, facilitando a avaliação dos riscos socioambientais das cadeias produtivas.
Além de ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro no comércio exterior, o estudo defende que uma rastreabilidade mais eficiente contribui para um modelo de desenvolvimento sustentável, promovendo geração de emprego, renda, inovação e qualidade de vida no campo, sem abrir mão da preservação ambiental.