O preço global da carne atingiu um recorde histórico em setembro, segundo a FAO, impulsionado pela escassez de oferta e pela demanda internacional aquecida. O índice que mede os preços dos alimentos mostra que a carne subiu quase 10% desde janeiro, enquanto o açúcar e os laticínios registraram queda.
De acordo com a economista da FAO Monika Tothova, o aumento reflete “surtos de doenças animais, tensões comerciais e eventos climáticos extremos” que reduziram a produção em grandes exportadores como Brasil e Estados Unidos. Além disso, a concentração de mercado em poucas processadoras facilita o controle de preços e limita a concorrência.
Nos EUA, o estoque de gado é o menor em 70 anos, e o Brasil, mesmo liderando as exportações, enfrenta dilemas entre reter animais para recompor o rebanho ou manter o abate diante dos preços elevados. O valor da carne bovina subiu 26% no Brasil e 54% na União Europeia, segundo o World Beef Report.
Em contraste, o açúcar caiu 21%, impulsionado pela supercolheita brasileira e boas perspectivas na Índia e Tailândia. Os laticínios também recuaram, com queda nos preços da manteiga e do leite em pó. O índice geral da FAO, que acompanha cinco categorias de alimentos, registrou em setembro uma média de 128,8 pontos, quase 20% abaixo do pico de 2022.