O Brasil pode perder mais de US$500 milhões (cerca de R$2,5 bilhões) em exportações caso entre em vigor, em setembro, o embargo aprovado pela União Europeia contra produtos brasileiros. A medida atinge as cadeias da carne bovina, do mel e dos pescados, sob a justificativa de que o país ainda não possui mecanismos de controle considerados suficientes para monitorar o uso de antimicrobianos nesses setores.
Representantes das cadeias produtivas contestam a decisão e afirmam que o bloqueio tem caráter protecionista, já que não há registros de contaminação nos produtos exportados pelo Brasil. A Associação Brasileira da Indústria de Carnes (Abiec) estima perdas superiores a US$500 milhões ainda este ano, enquanto o setor de pescados calcula prejuízo de até US$100 milhões com a possível interrupção da retomada das exportações para o mercado europeu.
O governo federal tenta reverter a situação e encaminhou à União Europeia um novo plano de fiscalização sanitária, detalhando os mecanismos de controle adotados pelo país. No entanto, a próxima reunião do bloco para analisar a documentação está prevista apenas para novembro, dois meses após a data prevista para o início do embargo.
Além dos impactos econômicos, o bloqueio preocupa produtores e exportadores por atingir um dos mercados mais importantes para produtos de maior valor agregado. O setor avalia que, caso a restrição seja mantida, haverá reflexos diretos na geração de empregos, na competitividade do agronegócio brasileiro e na diversificação dos mercados internacionais.