O El Niño pode pesar no bolso dos brasileiros e provocar alta de até 20% nos preços de alimentos in natura, como carnes e hortaliças, segundo um estudo do Rabobank. Em um cenário de El Niño forte, essa categoria poderia subir 19,9%, enquanto a alimentação no domicílio avançaria 6,32%. Os impactos dos choques climáticos podem aparecer de forma mais intensa até seis meses após o fenômeno.
As hortaliças devem sentir os efeitos mais rapidamente por terem ciclos de produção curtos e serem mais sensíveis às condições climáticas. Já produtos como arroz e feijão podem registrar aumentos de forma gradual, enquanto alimentos industrializados tendem a sofrer impactos menores. A intensidade da alta dependerá da força do fenômeno, das condições das safras e do cenário econômico.
Em um El Niño moderado, os alimentos in natura poderiam acumular alta de 13,4% em 12 meses, acrescentando cerca de 0,36 ponto percentual ao IPCA. Já em um episódio forte, a inflação dessa categoria poderia chegar a quase 20%, com impacto estimado de 0,53 ponto percentual no índice. Considerando todas as categorias de alimentos, o fenômeno poderia adicionar aproximadamente 0,83 ponto percentual à inflação.
Entre os produtos que podem ficar mais caros estão milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo, arroz e leite. A pecuária também pode ser afetada pela falta de chuvas no Centro-Oeste e no Norte. Por outro lado, algumas regiões podem ter benefícios pontuais: no Nordeste, o calor e o menor volume de chuvas podem favorecer a colheita do feijão, enquanto as chuvas no Sul podem ajudar culturas de inverno.