A China voltou a gerar tensão no mercado internacional de carnes após renovar e, horas depois, suspender novamente as licenças de exportação de centenas de frigoríficos dos Estados Unidos. A mudança ocorreu nesta semana e atingiu diretamente empresas do setor bovino que aguardavam autorização para voltar a vender ao mercado chinês.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, mais de 400 frigoríficos americanos perderam a habilitação para exportar à China em 2025, após o vencimento das permissões concedidas entre 2020 e 2021. No início da quinta-feira, o sistema da alfândega chinesa mostrava várias plantas frigoríficas com status “efetivo”, mas, poucas horas depois, os registros foram alterados novamente para “expirado”.
A situação acontece em meio à cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim, onde temas ligados ao comércio e à agricultura estão entre os principais assuntos discutidos. Analistas avaliam que a medida pode estar sendo usada pela China como estratégia de pressão nas negociações comerciais bilaterais entre os dois países.
Gigantes do setor, como Cargill e Tyson Foods, estavam entre as empresas que chegaram a aparecer como autorizadas no sistema chinês. A guerra comercial entre Washington e Pequim já provocou forte queda nas exportações de carne bovina dos EUA para a China, que passaram de US$1,7 bilhão em 2022 para cerca de US$500 milhões no último ano.