A China, um dos principais compradores do frango brasileiro, está aumentando a produção da proteína e já se tornou exportadora líquida em 2025. O movimento acende um alerta para o Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, que pode encontrar um novo concorrente em mercados estratégicos. A avaliação é de Chenjun Pan, especialista do Rabobank, banco voltado ao setor de agronegócio e alimentos.
A produção chinesa cresceu mais de 9% apenas no primeiro semestre de 2026, enquanto o consumo avançou em ritmo menor. Com o excedente, o país passou a ampliar as vendas externas, principalmente para Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio. Segundo Pan, a disputa com o Brasil pode se intensificar na próxima década em regiões como Ásia, África e Oriente Médio.
A mudança também ocorre enquanto as compras chinesas de frango brasileiro diminuem. Após ser o principal destino da proteína brasileira entre 2021 e 2024, a China reduziu as importações em 55,5% em 2025. Apesar disso, o país voltou a liderar as compras entre janeiro e julho de 2026, com 355,8 mil toneladas, enquanto o Brasil fechou 2025 com recorde de 5,3 milhões de toneladas exportadas.
O avanço chinês está ligado também à busca por alternativas à carne suína, após a crise provocada pela peste suína africana. A preferência dos consumidores por asas e pés deixa maior disponibilidade de cortes como peito, favorecendo as exportações. Enquanto a concorrência no frango aumenta, especialistas apontam oportunidades para o Brasil na carne bovina, especialmente diante das mudanças no perfil de consumo chinês e da busca por produtos de maior valor agregado.