Quase 2 milhões de brasileiros trabalharam por meio de aplicativos em 2025, segundo levantamento do IBGE. Ao todo, eram 1,959 milhão de pessoas, o equivalente a 1,9% do total de ocupados no país. A maioria atua por conta própria e utiliza plataformas de transporte, entregas ou prestação de serviços profissionais.
Do total, cerca de 1,2 milhão trabalhavam com transporte de passageiros, principalmente por plataformas como Uber e 99. Outros 376 mil atuavam com entregas de alimentos e produtos, enquanto 313 mil prestavam serviços gerais ou profissionais por meio de plataformas digitais. O setor de transporte, armazenagem e correios concentra a maior presença desses trabalhadores.
Apesar de terem rendimento mensal médio praticamente igual ao dos demais trabalhadores privados, os plataformizados trabalham mais horas. A jornada semanal média chegou a 44,7 horas, contra 39,3 horas entre os não plataformizados. Com isso, o rendimento médio por hora ficou em R$16,20, cerca de 12% abaixo dos R$18,40 recebidos pelos demais trabalhadores.
A pesquisa também aponta um alto nível de informalidade: 72,1% dos trabalhadores por aplicativos estavam na informalidade e apenas 34% tinham cobertura previdenciária. O levantamento ocorre em meio ao debate sobre a chamada “uberização” e à discussão no STF sobre possíveis vínculos trabalhistas entre plataformas e trabalhadores, enquanto empresas do setor contestam a existência dessa relação de emprego.