A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu investigação sobre cerca de 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA) em pacientes que utilizavam canetas emagrecedoras. Entre os medicamentos citados estão Mounjaro, Ozempic, Wegovy e Rybelsus. A condição pode provocar perda permanente da visão.
O assunto ganhou repercussão após pacientes nos Estados Unidos processarem a fabricante Novo Nordisk por supostos riscos relacionados à perda de visão. Estudos publicados na JAMA Ophthalmology apontaram que o risco de NOIA foi de quatro a sete vezes maior entre pessoas que receberam semaglutida, em comparação com usuários de outros medicamentos. Os próprios pesquisadores, porém, ressaltaram que os dados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito.
A NOIA é uma lesão provocada pela interrupção do fluxo sanguíneo para o nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais do olho ao cérebro. O quadro pode causar uma piora repentina da visão em um dos olhos e, em alguns casos, os danos podem ser permanentes. Segundo a Anvisa, os casos registrados no Brasil ainda são considerados suspeitos e estão sendo acompanhados.
A agência reforça que a presença do medicamento e da doença na mesma notificação não significa que um tenha causado o outro. Desde junho de 2025, entretanto, a NOIA passou a constar como reação adversa muito rara nas bulas dos medicamentos à base de semaglutida. Fabricantes também afirmam acompanhar os dados de segurança: a Eli Lilly monitora possíveis efeitos oftalmológicos, enquanto a Novo Nordisk diz que seus ensaios clínicos não identificaram aumento de casos e que a relação entre benefícios e riscos permanece favorável.