Brinquedos com inteligência artificial, capazes de conversar, responder perguntas e interagir como se fossem amigos, estão no centro de um alerta do Ministério da Justiça. Uma nota técnica identificou indícios de que seis modelos vendidos no Brasil podem violar a privacidade infantil, além de favorecer a dependência emocional das crianças.
Segundo o governo, esses brinquedos possuem microfones e câmeras que coletam informações como nome, rotina, preferências e até dados pessoais, que podem ser armazenados em servidores na internet sem que os pais tenham conhecimento. O caso está sendo analisado por órgãos responsáveis pela proteção do consumidor e dos dados pessoais.
Especialistas também alertam que esses dispositivos podem estimular uma relação de dependência, fazendo com que a criança enxergue o brinquedo como um amigo ou conselheiro, reduzindo o interesse por brincadeiras tradicionais e pela convivência com outras pessoas.
O Ministério da Justiça informou que prepara um guia sobre o uso da inteligência artificial na infância e recomenda que pais e responsáveis acompanhem de perto o uso dessas tecnologias, priorizando brincadeiras que estimulem a criatividade, a interação social e o desenvolvimento saudável das crianças.