Uma nova ameaça à agricultura brasileira está no radar de especialistas: o bicudo-vermelho, besouro invasor que já causou prejuízos severos em outros países, pode estar presente no Brasil. A primeira notificação ocorreu em 2022, em São Paulo, e desde então indícios do inseto foram identificados também em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Mesmo sem confirmação oficial, o alerta já mobiliza pesquisadores e autoridades.
O Ministério da Agricultura reconhece que há “risco de prejuízos expressivos”, embora ainda trate a presença da praga como suspeita. O inseto, de cerca de 5 centímetros, ataca o interior das palmeiras ao depositar ovos, e as larvas destroem o chamado “miolo” da planta, impedindo seu crescimento e levando à morte. A dificuldade de detecção precoce agrava ainda mais o problema.
O impacto pode ser significativo, já que o Brasil possui mais de 260 espécies de palmeiras, muitas delas com importância econômica, como coco, açaí e dendê. Além disso, o setor ornamental também está em alerta: algumas espécies podem levar até 20 anos para atingir valor comercial, chegando a custar até R$24 mil. Em países vizinhos, o cenário já foi devastador, com extensas áreas de palmeiras destruídas.
O combate à praga enfrenta desafios como a entrada irregular de plantas, ausência de predadores naturais e falta de produtos específicos registrados no país. Enquanto isso, especialistas cobram agilidade nas ações para evitar um impacto ainda maior. A preocupação é que, sem medidas rápidas, o problema avance e comprometa tanto a produção agrícola quanto o equilíbrio ambiental.