O aumento de complicações em procedimentos estéticos tem preocupado especialistas em todo o país. Um levantamento do Conselho Regional de Medicina de São Paulo aponta crescimento de 41% nas sindicâncias contra médicos em dois anos. Ainda mais alarmante é o salto de 90,3% nos casos envolvendo profissionais não médicos, reforçando o alerta sobre a realização de procedimentos por pessoas sem qualificação adequada.
Nos consultórios, os efeitos desse cenário já são visíveis. Pacientes chegam com quadros graves, incluindo necrose, infecções, deformidades e até risco de morte. Muitos desses casos estão ligados a intervenções como preenchimentos faciais, uso de substâncias para modelagem corporal e técnicas inadequadas, que podem causar danos permanentes ou de difícil reversão.
Especialistas também destacam o uso de substâncias proibidas, como silicone líquido e PMMA, como um dos fatores mais preocupantes. Além disso, procedimentos considerados “simples”, como aplicação de toxina botulínica, podem gerar complicações sérias quando realizados sem o devido conhecimento técnico, incluindo embolias, paralisias e lesões em tecidos.
O crescimento do mercado estético, que movimenta bilhões no Brasil, aliado à forte influência das redes sociais, tem contribuído para a banalização desses procedimentos. Diante desse cenário, a recomendação é clara: buscar sempre profissionais qualificados e desconfiar de promessas fáceis, já que a escolha errada pode custar muito mais do que a estética, podendo colocar a vida em risco.