A inflação brasileira seguiu trajetória melhor do que a esperada ao longo de 2025 e deve fechar o ano dentro do intervalo da meta do Banco Central. Dados preliminares indicam desaceleração em relação a 2024, contrariando projeções pessimistas feitas no início do ano, que apontavam pressão cambial, clima adverso e atividade econômica aquecida.
Entre os principais fatores de alívio estão os alimentos. Produtos como laranja, batata e arroz registraram quedas expressivas, impulsionadas por boas safras e maior oferta no mercado interno. Esse movimento ajudou a conter a inflação da alimentação no domicílio, que passou de uma expectativa de alta elevada para patamar bem mais moderado.
Por outro lado, os preços que mais subiram em 2025 estão concentrados no setor de serviços. Aluguel, refeições fora de casa, ensino e condomínio pesaram no orçamento das famílias, refletindo o mercado de trabalho aquecido e a demanda ainda forte. O café também chamou atenção, com alta superior a 40%, puxada por fatores climáticos e cambiais.
Mesmo com a desaceleração da inflação, a sensação de aperto financeiro permanece. Especialistas apontam que os aumentos acumulados dos alimentos nos últimos anos reduziram o poder de compra, e os salários ainda não conseguiram compensar totalmente essas perdas. Para 2026, o cenário depende do clima, do câmbio, dos juros e do ambiente político.