Pela primeira vez desde o início da série histórica do IBGE, em 1997, o abate de vacas e novilhas superou o de bois no Brasil. No 2º trimestre de 2025, o número de fêmeas abatidas cresceu 16% em relação ao mesmo período de 2024, resultado que mudou o perfil da carne que chega ao prato dos brasileiros.
Segundo o médico veterinário Urbano Gomes, da Embrapa, a diferença entre a carne de boi e de vaca é praticamente imperceptível para o consumidor comum. A principal distinção está no mercado: enquanto os machos são mais destinados à exportação, as fêmeas abastecem majoritariamente o consumo interno.
O movimento está ligado à economia da pecuária. Vacas engordam mais rápido, exigindo menor custo de criação. Já bois demoram mais para atingir o peso ideal, o que encarece sua produção — mas também os torna comercialmente mais valiosos. No trimestre analisado, só de novilhas foram abatidas 1,7 milhão de cabeças, contra 377 mil novilhos.
O aumento da exportação, especialmente para países como o México, também puxou a tendência. A previsão da Abiec é que 2025 termine com um crescimento de 12% no volume exportado em relação a 2024. Para 2026, porém, a Conab projeta queda de 3,5% na produção, já que os pecuaristas devem conter o abate de fêmeas para estimular a reprodução e elevar os preços do bezerro.