As exportações de alimentos industrializados do Brasil recuaram US$300 milhões em agosto, uma queda de 4,8% em relação a julho, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). O impacto veio principalmente do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, que reduziram em quase 28% as compras do Brasil, atingindo açúcares, proteínas e preparações alimentícias.
Os embarques totais somaram US$5,9 bilhões no mês, com destaque para a China, que se manteve como principal destino, comprando US$1,32 bilhão — um aumento de 10,9% sobre julho e de 51% frente a agosto de 2024. Já os países da Liga Árabe e a União Europeia reduziram suas importações em 5,2% e 14,8%, respectivamente.
Enquanto isso, o México emergiu como novo mercado relevante, adquirindo US$221 milhões em agosto, principalmente proteínas animais, um salto de 43% sobre o mês anterior. A ABIA vê o movimento como um possível redirecionamento das exportações, mas ainda incerto se será estrutural ou apenas conjuntural.
A estimativa da entidade é que, até dezembro, as perdas acumuladas com o tarifaço para os EUA cheguem a US$1,35 bilhão, com queda de até 80% nas vendas. Em contrapartida, setores não afetados, como o de suco de laranja, registraram crescimento anual, mostrando que a diversificação de mercados pode ser a saída para reduzir impactos externos.