Mesmo com o tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros de exportação, o preço da carne no Brasil continua em alta, acumulando aumento superior a 20% no último ano. A expectativa de que a redução das exportações para os EUA resultasse em maior oferta interna e queda de preços não se concretizou, já que outros países ampliaram suas compras: China (+41%) e México (+250%) lideraram o aumento da demanda de janeiro a agosto de 2025.
Segundo Thiago Bernardino, coordenador de Pecuária do Cepea, a competitividade da carne brasileira no mercado internacional mantém a forte procura: “Temos os menores custos de produção do mundo. Isso coloca o Brasil como líder mundial das exportações de carne.” Para os pecuaristas, o cenário é positivo, mas para os consumidores os preços seguem altos, com pequenas quedas recentes que não compensam a inflação acumulada.
A estiagem típica desta época do ano também contribui para o aumento dos preços. Com menos pasto disponível, os bois demoram mais para engordar, mantendo a cotação da arroba do boi gordo em torno de R$300 há quase um ano. Além disso, o aumento do consumo interno, impulsionado pela queda do desemprego e pela elevação da renda, mantém a pressão sobre os preços.
O professor de economia do Ibmec, André Diz, reforça que a carne permanece como prioridade na dieta das famílias brasileiras: “Qualquer adicional de renda acaba sendo direcionado para aumentar a quantidade de proteína consumida. Esse quadro deve permanecer até o final do ano, com preços pressionados e a carne um pouco mais cara do que em anos anteriores.”