O setor do mel brasileiro pode perder até US$53 milhões (R$289 milhões) em 2025 com a tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos nacionais. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), as exportações já caíram 50% em julho e podem despencar 80% em agosto. Em 2024, 79% do mel exportado pelo Brasil teve como destino o mercado norte-americano.
A Abemel prevê queda de 50% na produção e de 30% no preço do produto, o que ameaça pequenos apicultores, que são maioria no setor. Exportadores e clientes americanos tentam pressionar o governo dos EUA para retirar o mel da lista de tarifas, alegando que a produção orgânica local é insuficiente. Parlamentares brasileiros e deputados norte-americanos estão mediando o diálogo.
Empresas como a Minamel já acumulam estoques parados e negociam quem vai absorver parte da nova taxa. O diretor Carlos Domingues alerta que a queda no preço pode tornar inviável a atividade, caso o valor pago não cubra os custos. No Piauí, a produção já foi afetada pela seca, e cooperativas como a Comapi temem colapso da renda das famílias produtoras.
O setor busca abrir novos mercados, com destaque para Canadá e Alemanha, que juntos responderam por 17% das exportações em 2024. O consumo interno, que representa cerca de 30% da produção, ainda é baixo. Produtores defendem iniciativas como incluir o mel na merenda escolar, mas alertam que a medida isolada não resolveria a crise causada pelo tarifaço.