O agronegócio brasileiro está apreensivo diante da possibilidade de novas retaliações dos Estados Unidos, que podem afetar a importação de fertilizantes da Rússia, principal fornecedora do insumo ao Brasil. O alerta foi levado ao Itamaraty por representantes do setor e parlamentares da bancada ruralista, temendo que as ameaças de Donald Trump resultem em tarifas indiretas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano.
Trump já impôs sobretaxa de 50% a parte das exportações brasileiras e indicou que países que continuarem comprando petróleo, gás e fertilizantes da Rússia podem sofrer tarifas secundárias de até 100%. A medida é vista como parte de uma pressão diplomática para encerrar a guerra na Ucrânia, mas afeta diretamente cadeias produtivas estratégicas, como soja, milho e cana-de-açúcar, que respondem por mais de 70% do consumo de fertilizantes no país.
O Brasil importa mais de 90% dos fertilizantes que consome, e a Rússia sozinha fornece cerca de 30% desse total. Em 2025, as compras do insumo russo devem superar 12 milhões de toneladas, consolidando o maior volume já registrado. Especialistas alertam que qualquer interrupção ou aumento de custos pode comprometer a competitividade do agro brasileiro e impactar a produção de grãos.
Senadores que estiveram nos EUA na semana passada afirmam que a maior preocupação americana é com o volume de combustível comprado pelo Brasil dos russos, mas reconhecem que fertilizantes também estão no radar. O setor pede que o governo brasileiro atue rapidamente para evitar sanções e garantir a segurança do abastecimento agrícola.