Um levantamento realizado em 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo identificou que 28,3% das crianças e adolescentes avaliados foram classificados com hipertensão arterial. O estudo do projeto Brasil Coração Saudável analisou mais de 6 mil estudantes e também identificou pré-hipertensão em 11,6% dos participantes. Os resultados acendem um alerta para a saúde cardiovascular desde a infância.
O excesso de peso apareceu como um dos principais fatores associados às alterações na pressão arterial. Segundo a pesquisa, 33,1% dos estudantes apresentavam sobrepeso ou obesidade. Entre crianças e adolescentes de 7 a 18 anos com obesidade, 48,4% foram classificados com hipertensão, contra 22,6% daqueles com peso considerado adequado. Entre adolescentes de 15 a 18 anos com obesidade, o percentual chegou a 60,5%.
O levantamento também apontou hábitos que merecem atenção: 59% dos participantes passavam pelo menos três horas por dia diante de telas fora da escola, enquanto 66,1% dos que praticavam atividades físicas no ambiente escolar dedicavam apenas uma a duas horas semanais a esses exercícios. Além disso, cerca de um em cada oito estudantes relatou estresse intenso ou exagerado em casa ou na escola.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados são descritivos e não representam necessariamente todas as crianças e adolescentes brasileiros. A pressão elevada identificada em uma única avaliação não confirma, por si só, o diagnóstico de hipertensão, que precisa ser verificado em consultas posteriores. Alimentação equilibrada, atividade física regular, redução do tempo de tela e acompanhamento de saúde são medidas importantes para a prevenção.