O câncer colorretal tem chamado a atenção de especialistas pelo registro de casos em adolescentes e jovens, inclusive entre pessoas sem histórico familiar da doença. Um estudo apresentado na Conferência Nacional da Academia Americana de Pediatria de 2026 analisou 84 pacientes com até 21 anos diagnosticados entre 2012 e 2023. Apenas 20% tinham parentes próximos com histórico desse tipo de câncer.
A pesquisa também identificou que a maioria dos pacientes apresentava tumores em estágio III ou IV, considerados avançados. Mais da metade tinha menos de 18 anos quando recebeu o diagnóstico. Entre os participantes, mais de um terço apresentou recidiva da doença e quase metade morreu em decorrência do câncer, segundo os dados analisados pelos pesquisadores.
Entre os principais sinais observados estavam dor abdominal ou nas costas, mudanças no funcionamento do intestino, perda de peso e sangramento retal. De acordo com a pesquisadora Erica Arnold, a semelhança desses sintomas com problemas comuns pode dificultar a suspeita da doença e contribuir para atrasos no diagnóstico. No estudo, o intervalo médio entre o início dos sintomas e a identificação do câncer foi de três meses.
Os pesquisadores ressaltam que o levantamento não permite determinar se os resultados negativos foram causados principalmente pelo atraso no diagnóstico ou pelas características dos tumores. Ainda assim, defendem que sintomas persistentes ou combinados sejam investigados por profissionais de saúde, mesmo em pacientes jovens e sem histórico familiar. A avaliação médica é fundamental para identificar a causa dos sinais e definir a necessidade de exames.