A nova composição do Senado deve colocar a relação com o Supremo Tribunal Federal entre os principais temas da agenda política de 2027. Segundo informações de bastidores, parlamentares eleitos, especialmente da oposição, defendem mudanças na relação entre o Legislativo e o STF e afirmam que pedidos de impeachment de ministros estarão entre as pautas discutidas no próximo ano.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, esteve no Supremo nesta semana e manteve conversas com ministros, incluindo o presidente da Corte, Edson Fachin. Segundo relatos, Marinho teria sinalizado que a nova composição do Senado não pretende adotar uma postura de vingança ou revanche contra o Supremo, apesar do ambiente de forte tensão política entre parte do Congresso e ministros da Corte.
Alexandre de Moraes e Flávio Dino aparecem entre os ministros mais observados pelo novo cenário político. Moraes é considerado por setores do campo conservador um dos principais símbolos do conflito entre o Supremo e o bolsonarismo. A composição do Senado também será decisiva para a escolha do próximo presidente da Casa, prevista para fevereiro, e nomes como Rogério Marinho, Davi Alcolumbre e Arthur Lira são citados nas articulações de bastidores.
A mudança no comando do Senado pode influenciar diretamente a relação entre o Legislativo e o Supremo nos próximos anos. Com uma bancada do PL que deverá ocupar 19 cadeiras, a maior da Casa, pautas relacionadas ao funcionamento do STF e à responsabilização de ministros devem ganhar espaço nas discussões parlamentares. O cenário indica que a relação entre Senado e Supremo será um dos principais pontos de tensão da política brasileira em 2027.