Estudos indicam que o uso de toxina botulínica, conhecida popularmente como botox, pode produzir efeitos que vão além da aparência. Ao reduzir temporariamente os movimentos dos músculos da face, o procedimento pode interferir na forma como as pessoas expressam e interpretam emoções. Pesquisas também investigam possíveis impactos desse mecanismo no humor, nas relações sociais e até na função sexual.
A chamada mimética facial está relacionada à capacidade de reproduzir expressões e também de interpretar sinais emocionais de outras pessoas. Um sorriso, por exemplo, envolve diferentes músculos do rosto e pode transmitir alegria, simpatia ou satisfação. Segundo a hipótese do feedback facial, esses movimentos também podem enviar sinais ao cérebro e participar da própria experiência emocional.
Pesquisas citadas no material apontam associações entre a aplicação de botox em determinadas regiões do rosto e alterações no humor. Em um dos estudos, o bloqueio dos músculos responsáveis pelas chamadas linhas de expressão entre as sobrancelhas foi relacionado à melhora do humor. Outro trabalho observou associação entre o congelamento dos músculos envolvidos no chamado “sorriso de Duchenne” e aumento de indicadores de depressão.
Os possíveis efeitos também foram investigados na vida sexual. Estudos observaram que músculos da testa participam involuntariamente das expressões durante a excitação e que mulheres que aplicaram botox nessa região relataram redução na função sexual, incluindo maior dificuldade para atingir o orgasmo. Os resultados, porém, tratam de associações investigadas cientificamente e não significam que o procedimento necessariamente provocará essas alterações em todas as pessoas.