A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Aquipta (atogepanto hidratado), novo medicamento oral da farmacêutica AbbVie destinado à prevenção da enxaqueca. O remédio pertence a uma nova geração de tratamentos que atuam diretamente sobre o CGRP, molécula envolvida nos mecanismos de dor das crises.
O Aquipta terá comprimidos de 10 mg e 60 mg, em caixas com 28 unidades. O atogepanto bloqueia o receptor do CGRP, reduzindo a ação da substância durante o processo relacionado à dor e à sensibilização das vias nervosas. Diferentemente de alguns medicamentos preventivos tradicionais, desenvolvidos originalmente para outras doenças, o tratamento foi criado especificamente para atuar nessa via da enxaqueca.
Estudos clínicos apontaram redução na frequência das crises. Entre pacientes com enxaqueca episódica que receberam 60 mg por dia, houve redução média de 4,2 dias de enxaqueca por mês, contra 2,5 dias no grupo que recebeu placebo. Na forma crônica, outro estudo registrou redução de 6,9 dias por mês com a mesma dose, ante 5,1 dias no grupo placebo. Náusea e constipação estiveram entre os efeitos adversos mais frequentes.
Apesar da aprovação, o Aquipta ainda não chega imediatamente às farmácias. O próximo passo é a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A autorização da Anvisa também não significa incorporação automática ao SUS, que depende de uma avaliação específica da Conitec. A escolha do tratamento deve ser feita com acompanhamento médico, considerando a frequência das crises, histórico do paciente e possíveis efeitos adversos.