Medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida revolucionaram o tratamento da obesidade, mas o uso por conta própria e a compra de produtos de origem duvidosa preocupam especialistas. Adquiridos pela internet, sem receita ou procedência garantida, esses medicamentos podem representar riscos à saúde. O problema não está na idade, mas na ausência de diagnóstico, prescrição e acompanhamento.
Os chamados análogos de GLP-1 atuam na redução do apetite e no aumento da sensação de saciedade, sendo utilizados no tratamento da obesidade, uma doença crônica com fatores biológicos. Estudos apontam perdas significativas de peso com essas substâncias, mas a eficácia não significa que sejam indicadas para qualquer pessoa. Náuseas, vômitos e outros efeitos adversos podem ocorrer, além de complicações mais graves em determinadas situações.
Outro risco está nos produtos sem procedência, especialmente aqueles importados ou manipulados sem controle adequado. Sem garantia de armazenamento, pureza e concentração do princípio ativo, o paciente não tem segurança sobre o que está aplicando. A automedicação também pode fazer com que contraindicações sejam ignoradas e que a dose seja utilizada de forma inadequada, aumentando os riscos e comprometendo o tratamento.
A preocupação também envolve crianças e adolescentes. A partir dos 12 anos, alguns medicamentos possuem indicação aprovada para casos específicos de obesidade, sempre com avaliação e acompanhamento profissional. O alerta, portanto, não é contra o tratamento da doença, mas contra o uso sem orientação. Para especialistas, qualquer tratamento seguro depende de quatro pontos: diagnóstico, prescrição, medicamento com procedência e acompanhamento médico. Sem eles, uma terapia eficaz pode se transformar em um risco desnecessário.