Nove baianos estão entre os mais de 20 brasileiros que afirmam terem sido vítimas de tráfico humano no Camboja e em Madagascar. Segundo os relatos, o grupo viajou após receber propostas de trabalho com salários em dólar, mas teve os passaportes retidos ao chegar ao Camboja e foi obrigado a aplicar golpes pela internet. As vítimas também relatam agressões, ameaças e condições de trabalho forçado.
O grupo reúne brasileiros de diferentes estados e atualmente está em Madagascar, na África Oriental. Uma das vítimas contou que os trabalhadores eram mantidos em uma espécie de vila fortificada e impedidos de sair. Quem se recusava a trabalhar, segundo os relatos, sofria agressões e ameaças, além de acumular dívidas impostas pelos responsáveis pelo esquema.
Após operações policiais no Camboja, os brasileiros foram transferidos para Madagascar. No dia 19 de agosto, uma nova ação policial terminou com a prisão do grupo, que estava sem os passaportes. Eles foram liberados cerca de três dias depois e passaram a receber apoio de organizações locais e da ONG Exodus Road Brasil, enquanto aguardam o retorno ao país.
O Itamaraty informou que recebeu pedidos para apurar a situação junto às autoridades de Madagascar. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia também acompanha o caso e afirmou que estão sendo adotadas providências diplomáticas para viabilizar o retorno dos brasileiros. Segundo a organização que presta assistência ao grupo, as vítimas ainda aguardam maior suporte do governo brasileiro.