A carne brasileira pode enfrentar um novo obstáculo no mercado internacional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o país corre o risco de não atender às exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, o que pode impedir as exportações para o bloco a partir de setembro. Segundo o presidente da entidade, Roberto Perosa, a adaptação da cadeia produtiva levaria cerca de 30 meses.
Em junho, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as normas de controle do uso de antimicrobianos. Com isso, carne bovina, frango, pescado, mel, tripas e carne de cavalo produzidos no país poderão perder acesso ao mercado europeu. A Comissão Europeia alegou que o Brasil não apresentou informações suficientes para comprovar o cumprimento das exigências sanitárias.
Além das restrições da Europa, o setor também enfrenta dificuldades no mercado chinês. Desde janeiro de 2026, a China passou a adotar cotas de importação e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira. Segundo a Abiec, a redução da demanda internacional já provoca impactos no setor, incluindo dificuldades financeiras para frigoríficos e relatos de férias coletivas em algumas indústrias.
Apesar do cenário desafiador, a expectativa é de que o preço da carne no mercado interno permaneça estável em um primeiro momento. No entanto, a entidade alerta que, caso as restrições persistam e a economia continue aquecida, poderá haver aumento nos preços ao consumidor nos próximos meses.