Produtores de alho no Rio Grande do Sul enfrentam uma grave crise causada pela concorrência do produto importado, principalmente da Argentina e da China. Sem conseguir vender a produção por preços que cubram os custos, agricultores já cogitam jogar toneladas de alho no lixo para evitar prejuízos ainda maiores.
O produtor Everson Tagliari afirmou que pode descartar cerca de 50 toneladas da safra por falta de compradores. Segundo representantes do setor, o alho importado chega ao mercado brasileiro com preços muito abaixo do custo nacional. Enquanto o alho chinês é vendido por cerca de R$10 o quilo, o custo de produção no Brasil gira em torno de R$13 por quilo.
O Brasil consome aproximadamente 320 mil toneladas de alho por ano, mas produz apenas cerca de 170 mil toneladas, segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho. Para suprir a demanda, o país depende das importações, especialmente da Argentina, responsável por cerca de 60% do alho consumido no mercado brasileiro.
Entidades do agronegócio afirmam que a concorrência internacional é desleal devido a subsídios e incentivos recebidos por produtores estrangeiros. A associação dos produtores informou que já enviou dezenas de ofícios ao governo federal denunciando a situação, enquanto agricultores seguem acumulando prejuízos e enfrentando dificuldades para manter a atividade no campo.