A eleição presidencial de 2026 pode marcar um retrocesso na representatividade feminina no Brasil. Até o momento, 12 nomes foram colocados na pré-disputa pelo Palácio do Planalto, mas apenas uma mulher aparece na lista: Sâmara Martins, da Unidade Popular. Caso o cenário se mantenha até o registro oficial das candidaturas, será o menor número de mulheres na corrida presidencial desde 2002, quando nenhuma candidata concorreu.
A presença feminina tão reduzida não é comum nas últimas eleições. Desde 2006, o Brasil registrava pelo menos duas mulheres na disputa presidencial. O pico aconteceu em 2022, quando quatro candidatas participaram do pleito: Simone Tebet, Soraya Thronicke, Sofia Manzano e Vera Lúcia. Já em 1998, último cenário semelhante ao atual, apenas Thereza Ruiz disputou a presidência.
Historicamente, a participação feminina também é limitada nas fases decisivas. Apenas uma mulher chegou ao segundo turno em eleições presidenciais no Brasil: Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014. Ela também detém o recorde de mulher mais votada da história do país, com mais de 55 milhões de votos em sua primeira eleição.
Entre os nomes já colocados na pré-disputa de 2026 estão Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e outros nove candidatos. Especialistas apontam que o cenário evidencia desafios estruturais para a participação feminina na política e reforça a necessidade de políticas que ampliem a presença de mulheres em cargos de poder.