O Brasil segue como uma potência agrícola mundial, mas enfrenta um ponto crítico: a forte dependência de fertilizantes importados. Em 2025, o país adquiriu 88% dos adubos utilizados na produção, totalizando 45,5 milhões de toneladas, um recorde histórico que reforça a vulnerabilidade do setor.
Segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios, cerca de 45% desses fertilizantes vieram de países com instabilidade política ou envolvidos em conflitos, como Rússia, Bielorrússia e Irã. Esse cenário aumenta o risco de oscilações nos preços e dificuldades no abastecimento, especialmente em momentos de tensão geopolítica.
Um dos reflexos já sentidos foi a alta expressiva no preço da ureia, que subiu 67% após conflitos recentes no Oriente Médio afetarem a produção global. A redução na oferta de fertilizantes nitrogenados e a paralisação de fábricas contribuíram para pressionar os custos, que podem impactar diretamente o valor dos alimentos no Brasil nos próximos ciclos.
O levantamento também aponta que o país tem alta dependência externa em nutrientes essenciais como potássio e nitrogênio, enquanto o fósforo apresenta cenário mais equilibrado. Apesar de iniciativas para ampliar a produção nacional, especialistas alertam que o Brasil ainda precisa avançar para reduzir a exposição a crises internacionais.