As novas regras do abono salarial devem retirar cerca de 4,5 milhões de trabalhadores do benefício até 2030. A estimativa é do Ministério do Trabalho e consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias enviado ao Congresso Nacional. A redução será gradual e começa já a partir de 2026.
A principal mudança está na correção do limite de renda para acesso ao abono, que passará a ser ajustado apenas pela inflação. Enquanto isso, o salário mínimo seguirá tendo ganho real, acima da inflação. Na prática, isso vai reduzir o número de trabalhadores que se enquadram nos critérios do programa ao longo dos anos.
Com a nova regra, já em 2026 o limite cai para cerca de 1,96 salário mínimo, excluindo mais de 500 mil pessoas. Esse número cresce progressivamente até chegar a 4,56 milhões em 2030, quando o teto deve recuar para aproximadamente 1,77 salário mínimo, tornando o acesso mais restrito.
Apesar da redução no número de beneficiários, o governo projeta aumento nos gastos totais com o abono, impulsionado pelo crescimento do emprego formal no país. A expectativa é que o número de trabalhadores com carteira assinada suba, elevando o volume pago, mesmo com regras mais rígidas.