O avanço do calor extremo já está pressionando os sistemas alimentares globais e colocando em risco mais de 1 bilhão de pessoas, segundo relatório da Organização das Nações Unidas. O estudo, elaborado pela FAO e pela OMM, aponta que ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes já impactam diretamente a produção agrícola, a pecuária, a pesca e as florestas.
De acordo com o levantamento, o aumento das temperaturas tem reduzido drasticamente a produtividade das principais culturas do mundo, como milho, arroz, soja e trigo. Sempre que os termômetros ultrapassam os 30°C, há queda significativa na produção, afetando diretamente a segurança alimentar global e os meios de subsistência de milhões de trabalhadores rurais.
O relatório também destaca que o calor extremo atua como um agravante de crises já existentes, intensificando secas, incêndios florestais e surtos de pragas. Em países como o Marrocos, por exemplo, a combinação de seca prolongada e temperaturas recordes levou a perdas superiores a 40% na produção de cereais, além de comprometer culturas como azeitonas e frutas cítricas.
Diante desse cenário, as agências da ONU alertam que apenas medidas isoladas não são suficientes. Especialistas defendem a ampliação de sistemas de alerta climático e ações coordenadas para conter as mudanças climáticas, consideradas a única solução duradoura para evitar impactos ainda mais severos na produção de alimentos.